Se o seu contador te ligou neste início de 2026 com más notícias, você não está sozinho. O assunto que está tirando o sono de donos de bares, restaurantes e organizadores de eventos é um só: o fim do PERSE.
Durante muito tempo, acreditou-se que o benefício duraria até fevereiro de 2027, conforme previsto inicialmente na Lei nº 14.148. Mas, como dizem no mercado, o combinado não sai caro a não ser que o combinado tenha letras miúdas. E a letra miúda aqui era o teto orçamentário.
Neste artigo, vamos explicar sem juridiquês o que aconteceu, por que sua alíquota de imposto pode ter saltado de 0% para a tributação normal e, o mais importante: como blindar o caixa do seu restaurante agora que o governo fechou a torneira.
Afinal, o fim do PERSE é definitivo?
A resposta curta e dolorosa é: para a Receita Federal, sim.
O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE) tinha duas travas de encerramento:
- Temporal: deveria durar até fevereiro de 2027.
- Financeira: deveria durar até o governo deixar de arrecadar R$ 15 bilhões.
O problema é que, segundo os cálculos do governo, esse teto de R$ 15 bilhões foi atingido ainda em 2025. Desde então, formou-se uma zona cinzenta jurídica que entidades como a Abrasel vêm acompanhando de perto.
🚨 O alerta de 2026
Se a sua empresa ainda está usufruindo da alíquota zero hoje, em fevereiro de 2026, certifique-se de que você tem uma liminar judicial (Mandado de Segurança) ativa. Caso contrário, você corre o risco de ser cobrado retroativamente com multa e juros. A Receita entende que o fim do PERSE ocorreu assim que o teto foi batido.
O impacto no bolso: a conta que chegou
Sair do programa significa voltar a pagar IRPJ, CSLL, PIS e Cofins cheios (dependendo do seu regime, Lucro Real ou Presumido). Para um restaurante que fatura, por exemplo, R$ 200 mil por mês, a diferença é brutal. É dinheiro que sai direto da margem de lucro líquido.
Muitos empresários usaram esse fôlego fiscal para pagar dívidas da pandemia ou reformar a casa. Agora, com a volta da carga tributária normal somada à pressão inflacionária de 2026, a conta não fecha se a gestão continuar a mesma.
3 estratégias para sobreviver ao fim do PERSE
Não adianta brigar com a realidade. Se o imposto subiu, a eficiência interna tem que subir na mesma proporção. Aqui está o plano para lidar com o fim do PERSE:
1. A via judicial (consulte seu advogado)
Ainda há uma discussão forte no judiciário. Muitos advogados tributaristas defendem que o governo não foi transparente na contagem desses R$ 15 bilhões. Existem ações coletivas e individuais tentando garantir o benefício até 2027. Vale a pena consultar sua assessoria jurídica para ver se é o caso de brigar ou se é melhor aceitar e parcelar.
2. Revisão de custos e engenharia de cardápio
Com o aumento da carga tributária, seu CMV (Custo de Mercadoria Vendida) precisa ser mais eficiente. É hora de reavaliar fichas técnicas. Aquele prato que dava pouco lucro durante o programa agora pode estar dando prejuízo real. Atualize seus preços e elimine itens que não giram. Se você quer entender como a nova tributação muda esse cálculo, veja nosso guia de como calcular a CBS do restaurante.
3. Automação para reduzir custo operacional
Aqui está o pulo do gato que poucos donos enxergam. Se você vai pagar mais para o governo, precisa gastar menos com ineficiência operacional.
Quanto tempo (e dinheiro) sua equipe gasta hoje respondendo WhatsApp? Confirmando reserva? Mandando cardápio em PDF que o cliente não consegue abrir? Explicando horário de funcionamento?
Em 2026, ter um funcionário focado apenas em responder celular é um luxo que o cenário atual tornou inviável.
O futuro pós-PERSE
O encerramento oficial do ciclo pós-pandemia chegou. Agora, voltamos ao Brasil normal: carga tributária alta e competição acirrada.
Portanto, os restaurantes que vão sobreviver a 2026 não são os que têm a melhor comida, mas os que têm a melhor gestão. O benefício fiscal era uma muleta importante, mas agora é hora de andar (e correr) com as próprias pernas.
Resumo do que fazer hoje:
- ❌ Não ignore o problema: se você não pagar os impostos agora, a multa será impagável depois.
- ⚖️ Fale com o contador: verifique se a tributação de janeiro de 2026 já foi calculada corretamente.
- ⚡ Automatize: use ferramentas que enxugam a operação e liberam tempo para a gestão financeira.
Perguntas frequentes
O fim do PERSE já está valendo?
Para a Receita Federal, sim. O entendimento é que o programa se encerrou quando o teto de R$ 15 bilhões de renúncia foi atingido, ainda em 2025. Na prática, isso significa voltar à tributação normal, salvo quem tem decisão judicial em sentido contrário.
Ainda dá pra recorrer na justiça?
Há discussão jurídica em curso, com ações individuais e coletivas questionando a forma como o teto foi calculado. Se vale a pena entrar nessa briga depende do seu caso. Essa é uma decisão para tomar com seu advogado tributarista, não por conta própria.
Quanto isso pesa no caixa?
Varia conforme o regime (Lucro Real ou Presumido) e o faturamento. Para uma casa que fatura R$ 200 mil por mês, a volta de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins cheios representa um corte relevante na margem líquida. Só seu contador consegue dimensionar o número exato.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação contábil ou jurídica. Confirme regras, prazos e a sua situação específica com seu contador e seu advogado.

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